quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Mulheres centro americanas, moeda de troca para redes de tráfico


Para poder continuar seu caminho pelo território oaxaquenho, migrantes centro-americanos oferecem como moeda de troca o corpo de suas companheiras de viagem para redes de tráficos de pessoas, empregados públicos ou agentes do Instituto Nacional de Migração (INM).

Inclusive as próprias mulheres que viajam com poucos recursos se veem obrigadas a se integrarem a redes de exploração sexual comercial a fim de ir avançando pouco a pouco em seu destino para os Estados Unidos.

Fernando Cruz Montes, diretor do Centro de Orientação ao Migrante de Oaxaca (Comi), afirmou que a maioria delas são jovens e mães solteiras que tiveram de migrar pela sua precária situação econômica.
Explicou que ao menos 30% das mulheres que chegam ao Comi, na capital do estado, chegam com infecções de transmissão sexual (ITS) devido a comercialização que fazem dos seus corpos.


O também integrante da pastoral de migração da Diocese de Oaxaca disse que uma mulher hondurenha que chegou ao albergue narrou que foi violentada em cinco ocasiões, em duas ficou grávida e abortou.
Cruz Montes acrescentou que outros relatos das migrantes centro-americanas se referem ao fato de que algumas são capturadas pelas redes de tráfico de pessoas e são "transportadas em barco”.

Outras são comercializadas na capital oaxaquenha com fins a exploração sexual, a qual se exerce em plena luz do dia nas ruas circundantes a Central de Abastecimento da cidade de Oaxaca, detalhou o sacerdote.

Disse que as mulheres são as mais vulneráveis durante a migração, já que quando viajam em grupo elas são as primeiras que deixam o coletivo para que os demais migrantes possam seguir.

"Certamente vemos que as roubam, as violam e o mais triste é que além dos grupos de criminosos, também são as mesmas autoridades as que fazemisso”, disse Fernando Cruz.
De acordo com os testemunhos, algumas mulheres centro-americanas viajam quase sem dinheiro devido ao risco de serem assaltadas. Por isso preferem que suas famílias lhes enviem dinheiro por correio desde seus países de origem.

No entanto, as migrantes que não dependem de ninguém se veem obrigadas a trabalhar ou a usar seu corpo como moeda de troca para ir avançando em sua rota para os EUA.
O Instituto para as Mulheres na Migração (Imumi) situa os estados de Oaxaca e Chiapas como as entidades onde mais se captura as vítimas de tráfico.


A notícia é da Cimac/12/CL/RMB, por Citlalli López, correspondente

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